A Estrutura da Fé Judaica: Da Aliança de Abraão à Modernidade

O Judaísmo é uma das religiões abraâmicas mais antigas e influentes do mundo. Com uma história milenar, suas crenças, práticas e tradições têm desempenhado um papel significativo no desenvolvimento cultural e espiritual de diversos povos. Até 2019, a população mundial de judeus era de 14,7 milhões (Dashefsky; Sheskin, 2020).

O Judaísmo tem suas raízes nas antigas tradições do povo hebreu. Acredita-se que a história dos hebreus remonta ao patriarca Abraão, que viveu por volta de 1.800 a. C. De acordo com a tradição judaica, Deus fez uma aliança com Abraão, prometendo-lhe uma terra e descendentes numerosos. O período do Êxodo, liderado por Moisés, é considerado um evento fundamental para o Judaísmo, no qual os hebreus foram libertados da escravidão no Egito e receberam a Lei de Deus no Monte Sinai (Fine, 1998).

De acordo com a tradição, Moisés recebeu de Deus os 10 mandamentos escritos em duas tábuas de pedra. Os mandamentos são: 1. Não terás outros deuses diante de mim. 2. Não farás para ti nenhum ídolo, ne­nhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto. 3. Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus. 4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. 5. Honra teu pai e tua mãe. 6. Não matarás. 7. Não cometa adultério. 8. Não furtarás. 9. Não darás falso testemunho contra o teu próximo. 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença (Êxodo 20: 3-17).

No centro do Judaísmo estão as crenças em um Deus único e na importância da observância dos mandamentos divinos. A Torá, que consiste no pentateuco, os cinco livros escritos por Moisés (Gênese, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio), é considerada sagrada e constitui a base da lei e da ética judaica (Scardelai, 2008). Além disso, o Talmude, uma coleção de comentários e interpretações da lei judaica, desempenha um papel central na compreensão e prática do Judaísmo.

A observância do Shabat, que ocorre do pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado, é um dos pilares do Judaísmo. Durante esse período, os judeus se abstêm de trabalhar e dedicam-se à oração, ao estudo religioso e ao tempo com a família. Outras práticas importantes incluem a circuncisão masculina, a observância das leis alimentares, chamada Kashrut (ou Kosher) e a celebração de festividades como o Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, e o Yom Kipur, o Dia do Perdão (Fine, 1998).

Ao longo da história, surgiram diferentes correntes e movimentos dentro do Judaísmo. O Judaísmo Ortodoxo mantém uma aderência estrita às tradições e leis religiosas, enquanto o Judaísmo Conservador busca um equilíbrio entre a tradição e a modernidade. O Judaísmo Reformista, por sua vez, adota uma abordagem mais liberal e adapta as práticas religiosas às mudanças sociais (Fine, 1998).

O Judaísmo é uma religião rica e complexa, que abrange uma ampla gama de crenças, práticas e tradições. Sua história e ensinamentos têm influenciado profundamente a civilização humana ao longo dos séculos. Através da adesão à fé, à ética e à comunidade, os judeus encontram significado espiritual e conexão com sua herança ancestral.

Referências

Dellapergola, S. World Jewish Population, 2019. In: Dashefsky, A.; Dellapergola, S.; Sheskin, I. (eds). American Jewish Year Book 2019. American Jewish Year Book. Nova Iorque: Berman Jewish DataBank, 2020.

Fine, Doreen. O Que Sabemos Sobre o Judaísmo?3. ed. São Paulo: Callis, 1998.

Scardelai, Donizete. Da Religião Bíblica ao Judaísmo Rabínico: origens da religião de Israel e seus desdobramentos na história do povo judeu. São Paulo: Paulus, 2008.